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Cooperação agrícola China–Brasil avança em nova fase sustentável

A relação agrícola entre China e Brasil entrou em 2025 com contornos mais sofisticados. Se nas últimas décadas o eixo central foi o comércio de grandes commodities, como soja e carne bovina, a agenda atual combina diversidade de produtos, compromissos mais robustos de sustentabilidade e uma cooperação tecnológica que chega da porteira dos grandes exportadores às pequenas propriedades familiares no interior do Brasil.

No campo da carne bovina, pilar histórico das exportações brasileiras para o mercado chinês, a palavra de ordem passou a ser rastreabilidade. Com o lançamento do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, o Brasil inicia a transição para um sistema em que cada animal terá um registro eletrônico próprio e um histórico vitalício, permitindo acompanhar a trajetória do rebanho da fazenda ao frigorífico. Para compradores internacionais como a China, que em 2024 firmou com o Brasil o objetivo de alcançar total visibilidade da cadeia por meio de uma plataforma padronizada de rastreabilidade, esse movimento sinaliza convergência regulatória em sanidade, segurança alimentar e critérios socioambientais.

Ao mesmo tempo, o comércio bilateral se afasta do padrão concentrado em poucos produtos e passa a incorporar novos itens. A abertura do mercado chinês para os subprodutos do etanol de milho, conhecidos como DDG e DDGS, cria uma nova frente para a indústria brasileira de biocombustíveis, ao destinar resíduos da produção de etanol à alimentação animal. No segmento de culturas especiais, o aumento expressivo do número de empresas brasileiras autorizadas a exportar gergelim, com destaque para o estado de Mato Grosso, mostra que há espaço para ampliar a pauta em oleaginosas e ingredientes demandados pela indústria de alimentos chinesa.

O café tornou-se outro símbolo dessa nova fase. A assinatura de memorandos de entendimento com redes como Luckin Coffee e Mixue envolve não apenas a compra de grandes volumes de grãos brasileiros para abastecer o mercado chinês, mas também investimentos em fábricas, centros de distribuição e campanhas de marketing que apresentam o “Café do Brasil” ao consumidor jovem urbano. Projetos como o “Festival da Cultura do Café do Brasil”, a criação de um Museu do Café Brasileiro em território chinês e ações de degustação profissional aproximam a experiência cotidiana de consumo da narrativa cultural brasileira, tornando o café um embaixador da imagem do país no ritmo acelerado das grandes cidades chinesas.

Na outra ponta da cadeia, a cooperação agrícola sino-brasileira começa a impactar de forma concreta a agricultura familiar. Iniciativas como as Residências de Ciência e Tecnologia China–Brasil sobre Mecanização Agrícola Familiar reúnem universidades chinesas e instituições brasileiras para desenvolver, testar e adaptar máquinas de pequeno e médio porte às condições específicas dos pequenos produtores. Em áreas-piloto, como no semiárido do Nordeste, equipes técnicas ajustam equipamentos, adequam plantadeiras, colheitadeiras e implementos a cultivos locais e capacitam agricultores para operar e fazer a manutenção dos maquinários. Em paralelo, sistemas de big data permitem monitorar clima, umidade do solo e desenvolvimento das lavouras, levando elementos de agricultura de precisão a propriedades que antes dependiam quase exclusivamente de trabalho manual.

Do ponto de vista climático, essa convergência de comércio, tecnologia e inclusão social dialoga com a ambição compartilhada de construir cadeias produtivas de baixo carbono e resilientes às mudanças climáticas. Ao combinar rastreabilidade da carne, uso mais eficiente de insumos, mecanização adaptada à pequena escala e contratos de longo prazo em setores como café, China e Brasil passam a configurar um laboratório vivo de cooperação Sul–Sul em agricultura sustentável. O desafio, a partir de agora, será transformar esses pilotos em políticas de maior alcance, protegendo florestas e biomas sensíveis, elevando a produtividade com redução de emissões e garantindo que os ganhos econômicos cheguem também às famílias rurais que sustentam, no dia a dia, a complexa engrenagem do agronegócio bilateral.

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