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Aluno da UFAL leva pesquisa sobre “gacha” a congresso em Hong Kong

Um estudante da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) terá sua primeira participação acadêmica internacional na China após ter um trabalho selecionado para a GachaCon 2026, conferência que ocorrerá na City University of Hong Kong entre 12 e 13 de fevereiro de 2026. Thiago Santos, do sexto período de Design, apresentará uma pesquisa que combina neurociência e game design para analisar como mecanismos típicos de jogos “gacha” influenciam o comportamento e a permanência de jogadores.

Segundo a UFAL, o evento reúne pesquisadores de áreas como jogos, psicologia e direito para discutir as implicações dos sistemas de recompensa aleatória no design, nas comunidades de jogadores e em debates regulatórios, com recorte centrado no jogo chinês Genshin Impact. A programação inclui palestras e intercâmbio com participantes de países como Austrália, Finlândia, Canadá, Japão, Países Baixos e Singapura, além de painéis que conectam o tema a questões sociais como gênero, relações parassociais e formação de comunidades em torno de jogos.

A pesquisa de Thiago parte de uma experiência comum a muitos usuários desses títulos: a sensação de estar “preso” a ciclos de estímulo e recompensa. Ele estuda como a lógica do “gacha” — inspirada em máquinas que entregam itens de forma imprevisível após o pagamento — foi transposta para o ambiente digital, criando sistemas em que personagens e armas surgem aleatoriamente e, para aumentar as chances de obter itens raros, o jogador tende a gastar recursos dentro do próprio jogo.

Com o título “The Neuroscience of Desire: Dopamine, Intermittent Reinforcement, and Player Retention in Genshin Impact”, o trabalho usa uma metodologia associada a Kent Berridge para separar os mecanismos do “querer” e do “gostar” no cérebro. A hipótese descrita é que a expectativa e a proximidade de uma recompensa podem gerar picos dopaminérgicos mais fortes do que o momento de obtê-la, alimentando reforços intermitentes que sustentam a retenção. Para além do interesse acadêmico, o tema dialoga com uma discussão crescente sobre transparência, proteção de consumidores e limites éticos de monetização em jogos, especialmente quando esses sistemas se aproximam de comportamentos compulsivos.

A UFAL informa que a submissão internacional foi incentivada pelo orientador Daniel da Costa Leite (UniFacisa) e contou com apoio acadêmico de Layane Araújo, professora da universidade, para inserir o estudante no circuito de pesquisa em games. Para viabilizar a viagem, Thiago organiza uma campanha de financiamento coletivo chamada “Missão Hong Kong”, com informações centralizadas em um perfil dedicado nas redes sociais.

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