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Tarifas dos EUA impulsionam Brasil a fortalecer presença na China e diversificar exportações

A escalada da guerra tarifária entre Estados Unidos e China pode abrir novas janelas de oportunidade para o Brasil fortalecer sua posição no maior mercado consumidor do planeta. Com as recentes tarifas de 50% impostas pelo governo americano e a pressão de Donald Trump para que Pequim quadruplicate as compras de soja dos EUA, a China tende a buscar alternativas — e o Brasil já está na linha de frente para ampliar sua fatia nesse comércio.

Segundo Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a possibilidade de a China ceder à demanda americana é improvável. O motivo: o Brasil já detém cerca de 70% do mercado chinês de soja e a produção doméstica chinesa ainda não supre a demanda. “A dependência externa é grande, e o Brasil é um parceiro consolidado nesse fornecimento”, afirma.

Mas o cenário vai além da soja. Cariello destaca que outros setores agrícolas brasileiros podem ganhar espaço no mercado chinês, especialmente carnes e café. A China já é o maior destino da carne bovina brasileira no mundo e vem aumentando rapidamente seu consumo de café — impulsionado por uma classe média maior que toda a população dos Estados Unidos e cada vez mais exposta ao estilo de vida ocidental. “O crescimento de cafeterias, tanto de grandes redes como Starbucks quanto de marcas locais, mostra que o café tem potencial para se tornar um produto estratégico nas exportações brasileiras”, explica.

Esse movimento, porém, traz um alerta: o café brasileiro exportado ainda é majoritariamente cru, com a etapa de torrefação e agregação de valor realizada no exterior. Para o especialista, a chave está em estimular a exportação de café premium, torrado no Brasil, agregando valor e fortalecendo a marca nacional. “Se o café se consolidar na China, pode voltar a ser o ‘ouro verde’ no comércio internacional”, afirma.

A diferença na pauta comercial com China e Estados Unidos também influencia essa estratégia. Para os norte-americanos, o Brasil vende principalmente produtos industrializados, como aço, máquinas e aeronaves, enquanto para os chineses predominam commodities agrícolas e minerais. A diversificação, portanto, passa não só por novos produtos, mas também por elevar o valor agregado das exportações ao mercado asiático.

Em um momento de tensões globais e realinhamentos econômicos, a aproximação comercial Brasil-China ganha ainda mais relevância. Com um mercado consumidor em expansão e abertura para novos fornecedores, Pequim pode se tornar o destino-chave para a próxima etapa da internacionalização de produtos brasileiros — desde grãos até o café gourmet produzido e embalado no país.

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