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Máquinas chinesas: parlamentares do MST chegam à China para fortalecer cooperação tecnológica

Uma comitiva de parlamentares do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chegou à Xangai, na segunda-feira (17), para estreitar a cooperação com a China em ciência e tecnologia voltada para a agricultura familiar. Liderada pelas deputadas estaduais Marina do MST (PT-RJ) e Rosa Amorim (PT-PE), a comitiva permanecerá no país até 28 de março, a convite da Universidade Normal do Leste da China.

“Nosso principal objetivo é fortalecer parcerias com o governo da China, em particular nas áreas de mecanização do campo voltada à agricultura familiar, produção de bioinsumos a nível industrial e a geração de energia limpa”, disse ao Brasil de Fato a deputada Marina do MST.

“Nossa parceria com a China objetiva justamente isso: a produção de maquinário adequado a pequenas propriedades camponesas, que de fato produzem alimento para o Brasil, visto que o agronegócio visa o lucro pela exportação de commodities.”

No ano passado, o MST recebeu mais de 80 tratores para serem testados em assentamentos, como fruto de parcerias entre a Universidade Agrícola da China, o Consórcio Nordeste, a Universidade de Brasília (UnB) e Baobab Associação Internacional para a Cooperação Popular. Os testes demonstraram que os equipamentos chineses são adaptados para a realidade brasileira.

Além da importação dessas máquinas, o movimento busca estreitar laços para que esses equipamentos possam ser fabricados no Brasil.

“O MST já está testando 30 máquinas chinesas em nossos assentamentos, e a avaliação tem sido muito positiva. Em Apodi, no Rio Grande do Norte, como passo inicial da nossa parceria, vamos construir a primeira fábrica de microtratores do país, e outras fábricas já estão em discussão”, aponta a deputada.

Confira a entrevista

Brasil de Fato: Quais os principais objetivos da viagem? Quais encontros estão previstos entre os parlamentares do MST e a delegação chinesa?

Marina do MST: Nossa agenda inclui diferentes atividades formativas, culturais e de diálogo. Nos encontraremos com acadêmicos e pesquisadores, em especial da Universidade Normal do Leste da China, que nos convidou para esta experiência, e com líderes locais e globais,  como Dilma Rousseff, presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento.

Teremos ainda momentos de troca com representantes da Frente Unida do Governo de Xangai, do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China e do Centro de Cooperação Econômica da China. Também visitaremos unidades do Parque Industrial de Novas Mídias de Guizhou e do Instituto de Pesquisa em Reciclagem Orgânica da Universidade Agrícola da China, que investe no tratamento de resíduos orgânicos e na produção de fertilizantes e de arroz ecológico.

Nosso principal objetivo é fortalecer parcerias com o governo da China, em particular nas áreas de mecanização do campo voltada à agricultura familiar, produção de bioinsumos a nível industrial e a geração de energia limpa. 

O combate à crise climática é um desafio urgente, que exige uma articulação global. Precisamos rever os modelos de desenvolvimento, mirando um futuro pautado pela justiça social, preservação ambiental e crescimento inclusivo. Nesse contexto, a união da experiência do MST em produção responsável e justiça distributiva com a governança inovadora e a alta tecnologia chinesa é uma oportunidade ímpar.

Sobre a mecanização da agricultura familiar, o que esse encontro deve possibilitar em termos de diálogo em relação ao maquinário já testado pelo MST e a produção desses equipamentos no Brasil?

No Brasil, existem somente quatro fábricas de tratores, e todas produzem grandes máquinas direcionadas ao agronegócio. Assim, os produtores da agricultura familiar ficam sem opção de maquinário agrícola para melhorar a sua produtividade e condições de trabalho. No Nordeste, por exemplo, somente 3% das propriedades são mecanizadas. Nossa parceria com a China objetiva justamente isso: a produção de maquinário adequado a pequenas propriedades camponesas, que de fato produzem alimento para o Brasil, visto que o agronegócio visa o lucro pela exportação de commodities.

O MST já está testando 30 máquinas chinesas em nossos assentamentos, e a avaliação tem sido muito positiva. Em Apodi, no Rio Grande do Norte, como passo inicial da nossa parceria, vamos construir a primeira fábrica de microtratores do país,  e outras fábricas já estão em discussão.

Esse ano o Brasil sediará o encontro do Brics e a COP30. Como as relações Brasil e China dialogam com esses espaços da perspectiva da produção agroecológica defendida pelo MST?

O MST tem se destacado nas relações entre Brasil e China na perspectiva do desenvolvimento da agricultura familiar. A China tem uma vasta experiência na descentralização das terras pela Reforma Agrária. O país conseguiu desenvolver unidades de agricultura familiar que dão conta de abastecer a população local. 

Aqui no Brasil, nossas experiências no campo da Reforma Agrária Popular para a produção de alimentos saudáveis caminham lado a lado com o debate sobre crise climática. Ainda que as relações entre os dois países estejam muito centradas na comercialização dos produtos do agronegócio, temos avançado no desenvolvimento de alternativas a esse modelo de produção. A exemplo, temos as negociações de parcerias para a mecanização da agricultura familiar e a produção de bioinsumos e de energias alternativas que potencializam um novo modelo centrado na justiça socioambiental.

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