
O ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, afirmou em entrevista que o governo brasileiro recebeu uma “sinalização favorável” de autoridades chinesas sobre demandas apresentadas a Pequim para flexibilização das regras de cotas de exportação de carne bovina. As declarações foram feitas em Brasília em 9 de fevereiro de 2026, no contexto de conversas contínuas entre os dois países sobre o comércio desse importante produto agropecuário.
Segundo Fávaro, as negociações têm sido conduzidas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, com interlocução direta com autoridades chinesas. A principal demanda do Brasil é relativa às salvaguardas anunciadas pela China, aplicadas em 2026 sobre importações de carne bovina quando os volumes exportados excedem determinadas cotas, resultando em tarifas adicionais de 55% sobre os excedentes.
O ministro explicou que uma das propostas brasileiras é que sejam excluídos da cota os embarques realizados até 31 de dezembro de 2025, mesmo que cheguem aos portos chineses após a data em que as salvaguardas entraram em vigor. A ideia é evitar que carnes embarcadas antes da nova regra sejam penalizadas pela tarifa adicional, considerando que já estavam contratadas e em trânsito ao mercado chinês.
Fávaro declarou que o tema deve ser discutido no âmbito da COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação), instância oficial de diálogo entre Brasil e China que prevê uma reunião no Brasil ainda em 2026. A comissão deve abordar questões comerciais e regulatórias, incluindo o comércio de produtos agropecuários.
A política chinesa de cotas e salvaguardas para carne bovina surgiu após uma investigação sobre os efeitos das importações no mercado doméstico, que levou a medidas para limitar o impacto sobre a produção local. Para 2026, a China definiu um volume total de importação de cerca de 2,7 milhões de toneladas, com o Brasil recebendo a maior parcela dessa quota, seguido por Argentina e outros países. Volumes acima desse limite ficam sujeitos à tarifa adicional.
O agronegócio brasileiro tem destacado a importância do mercado chinês, que figura entre os principais destinos das exportações de carne bovina do Brasil. Em 2025, o Brasil exportou uma quantidade recorde de carne ao exterior, e a demanda chinesa tem sido um dos principais motores dessa dinâmica comercial. A sinalização positiva de Pequim sobre temas regulatórios é recebida como um passo potencialmente importante para reduzir incertezas relacionadas ao comércio bilateral.
Especialistas em comércio internacional ressaltam que ajustes nas regras de cotas e salvaguardas, se acordados entre Brasil e China, podem influenciar o fluxo de exportações e a organização da pecuária brasileira, que depende de mercados externos para sustentar parte significativa de sua produção. A COSBAN será um espaço importante para que esses temas sejam aprofundados sob a perspectiva multilateral e de regras comerciais.
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