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Brasil intensifica diálogo com China sobre lítio, terras raras e energia estratégica

Em uma visita oficial à China em janeiro de 2026, o ministro brasileiro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apresentou aos principais atores industriais chineses os avanços recentes do Brasil em descobertas de lítio e terras raras, insumos essenciais para a transição energética e produção de baterias, e reforçou o interesse do governo em consolidar parcerias estratégicas na cadeia de minerais críticos e no armazenamento de energia.

Silveira reuniu-se com executivos do grupo Contemporary Amperex Technology Co. Limited (CATL) — maior fabricante mundial de baterias e fornecedor de montadoras como Tesla, BMW, Volkswagen e Ford — para discutir diretrizes do leilão de baterias previsto para abril de 2026, que terá início de suprimento em agosto de 2028 e contratos de potência de reserva por dez anos. Durante o encontro, o ministro destacou as oportunidades de investimento no Brasil ligadas às descobertas de lítio e terras raras, ressaltando que o país tem condições institucionais estáveis e ambiente favorável para atrair capital estrangeiro.

O governo brasileiro vem enfatizando que essas descobertas representam um diferencial estratégico para o país, que possui vasto potencial mineral ainda pouco explorado. O lítio é um componente central em baterias de íon-lítio, enquanto as terras raras — um grupo de 17 elementos químicos críticos para tecnologias de ponta, como ímãs permanentes e motores elétricos — são fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e industrial.

Segundo informações oficiais, a estratégia do Ministério de Minas e Energia vai além da atração de investimentos: busca internalizar etapas relevantes da cadeia produtiva desses insumos no Brasil, incluindo a fabricação de componentes e baterias, e superar um modelo baseado apenas na exportação de matéria-prima, com foco na geração de empregos qualificados e aumento de valor agregado no país.

A agenda de Silveira na China também incluiu encontros com outros grupos industriais, como o Grupo SANY, e com representantes do setor nuclear chinês, em discussões sobre pequenas usinas modulares (SMRs), consideradas alternativas de geração de energia de base com maior flexibilidade e menor custo inicial.

Especialistas e interlocutores do governo brasileiro veem as conversas com a China como parte de um movimento mais amplo do Brasil para consolidar sua posição global em minerais críticos e energia, em um contexto de crescente demanda mundial. Paralelamente, países como Estados Unidos e países da União Europeia intensificam interesse nas reservas brasileiras desses recursos — uma dinâmica que pode transformar o Brasil em peça central das cadeias globais de tecnologia e energia.

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