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Brasil e China avançam em negociação para construção da ferrovia bioceânica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Pequim na noite de 10 de maio para uma visita de Estado de cinco dias, com uma ambiciosa pauta econômica: discutir, entre outros temas, a construção de uma ferrovia bioceânica que conecte os portos brasileiros no Atlântico ao porto de Chancay, no Peru, no Pacífico. Segundo o governo brasileiro, o projeto poderia redefinir o papel do Brasil no comércio internacional e diminuir sua histórica dependência do Canal do Panamá.

Por décadas, navios brasileiros com destino à China e ao restante da Ásia precisaram contornar a América do Sul ou passar pelo Canal do Panamá, controlado de forma neutra até recentemente. Mas a ameaça do ex-presidente americano Donald Trump, que cogitou até o uso da força para controlar esse estratégico corredor marítimo, reacendeu o debate sobre uma rota alternativa. Em 2024, o Brasil exportou para a China US$ 188,1 bilhões, e a China foi responsável por 11% da receita total do Canal do Panamá (US$ 5,5 bilhões), evidenciando a relevância da parceria sino-brasileira.

O projeto da ferrovia prevê a ligação entre o porto de Ilhéus, na Bahia, e o porto peruano de Chancay, cruzando o Brasil, a Bolívia e o Peru, com potencial para expandir ramais para Chile e Argentina. Uma verdadeira rede ferroviária continental. A ferrovia teria mais de 5 mil km e exigiria investimentos superiores a US$ 80 bilhões. O Brasil, atualmente com uma dívida externa de US$ 24,7 bilhões com a China, não teria como bancar sozinho o projeto. A alternativa seria financiamento chinês e tecnologia chinesa, única no mundo capaz de enfrentar os desafios técnicos de construção em regiões como os Andes e a Amazônia.

Caso concretizada, a ferrovia eliminaria a necessidade do transporte marítimo via Panamá, permitindo que produtos e indústrias chinesas se instalem diretamente em solo brasileiro. O Brasil se transformaria em polo logístico da América do Sul, fortalecendo ainda mais sua relação comercial com a China.

O plano, porém, enfrenta resistência política. Os EUA tradicionalmente consideram a América Latina sua “área de influência” e podem reagir. Para o Brasil e seus vizinhos, a prioridade será garantir estabilidade interna para avançar as negociações.

Para os especialistas, o impacto seria comparável ao da crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960, mas com potencial positivo: integração, crescimento industrial e alívio da dependência econômica. A construção da ferrovia também impulsionaria investimentos bilionários em infraestrutura e geração de empregos em toda a região.

O presidente Lula aproveitou sua participação no Seminário Empresarial Brasil-China, realizado em 12 de maio em Pequim, para reforçar o interesse brasileiro em receber investimentos e tecnologia chinesa para o projeto. A reunião contou com autoridades e empresários dos dois países e reforçou a posição do Brasil como parceiro estratégico para a China na América Latina.

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