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Geely aposta no etanol brasileiro e planeja produzir híbridos no Paraná em parceria com a Renault

A montadora chinesa Geely, uma das gigantes do setor automotivo global, acaba de confirmar seu interesse direto na produção de veículos híbridos movidos a etanol no Brasil. Em parceria com a Renault, a empresa prepara o uso da planta industrial em São José dos Pinhais (PR) para fabricar motores de baixa emissão que aproveitam uma das maiores riquezas brasileiras: o biocombustível.

A vice-presidente sênior da Geely, Wang Ruiping, revelou o avanço durante uma visita de jornalistas à sede da empresa em Hangzhou, na China. “Estamos trabalhando com etanol no Brasil”, afirmou a executiva, entusiasmada ao falar diretamente com um repórter brasileiro. “Vocês vão ver”, completou.

A aposta da Geely surge no momento em que o mundo automotivo começa a repensar o papel do carro elétrico puro e considerar soluções mais adaptadas à realidade energética de diferentes países. No caso do Brasil, o etanol aparece como alternativa promissora — com pegada de carbono baixa, infraestrutura consolidada e independência dos combustíveis fósseis.

Tecnologia feita sob medida para o Brasil (e além)

A tecnologia está sendo desenvolvida pela Horse Powertrain, joint venture entre a Geely e a Renault voltada exclusivamente para motores. O foco são modelos híbridos que combinam motor elétrico e a combustão, com destaque para o uso de etanol e, futuramente, metanol. Na prática, isso significa carros mais baratos que os 100% elétricos, com boa autonomia e adequados à infraestrutura já disponível no Brasil.

“Se pegarmos um carro elétrico e instalarmos um extensor de autonomia pequeno e eficiente, movido a etanol, é o melhor dos mundos”, resumiu o CEO da Horse, o brasileiro Matias Giannini, em entrevista à revista Fortune. “Você reduz o tamanho da bateria e o custo do carro, e ainda assim ele é quase 100% energia limpa.”

A ideia já conquistou interessados no Brasil. A startup Lecar, que antes apostava exclusivamente em elétricos, deve lançar um híbrido com tecnologia Horse a partir de 2026, em fábrica no Espírito Santo.

Brasil-China: parceria estratégica na transição energética

A entrada da Geely no Brasil representa mais do que um investimento estrangeiro. Trata-se de um movimento estratégico em que a China reconhece o potencial do etanol brasileiro como peça-chave da mobilidade limpa do futuro. Enquanto a China avança no domínio das baterias e da eletrificação, o Brasil traz sua expertise em biocombustíveis — uma combinação poderosa para enfrentar os desafios climáticos com soluções viáveis e regionais.

A união também reflete a visão global da Geely, que já opera parcerias com marcas como Mercedes-Benz (caso da Smart, cujos modelos estão sendo montados em Changxing) e agora avança com a Renault para um portfólio diversificado em tecnologia e mercados.

O que vem por aí

Com aprovação pendente das autoridades reguladoras, o novo acordo entre Geely e Renault prevê a produção de veículos próprios da chinesa no Brasil, uso compartilhado da rede de concessionárias e o desenvolvimento local de motorização sustentável. A petrolífera Saudi Aramco, que detém 10% da Horse, também participa do consórcio, indicando que a aliança tem respaldo global.

A produção deve começar nos próximos anos e inclui ainda o uso de combustíveis sintéticos, gás e gasolina, além do etanol. Para o consumidor brasileiro, isso significa uma nova geração de veículos mais baratos, eficientes e alinhados com a realidade energética nacional.

A Geely, ao apostar no Brasil, não apenas amplia sua presença global, mas sinaliza que a transição energética será, cada vez mais, construída com soluções múltiplas, locais e sustentáveis — e que o etanol brasileiro pode, enfim, brilhar no palco internacional.

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