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Com tecnologia chinesa, Zona Franca de Manaus vive auge e impulsiona economia verde brasileira

No coração da floresta amazônica, a capital Manaus está se firmando como um dos maiores exemplos de integração entre tecnologia industrial e preservação ambiental. A Zona Franca de Manaus, criada em 1967, atingiu em 2024 a maior receita de sua história — um marco impulsionado, em grande parte, pela presença de empresas chinesas que vêm reforçando o desenvolvimento sustentável da região com inovação e investimento direto.

A transformação é visível. A poucos quilômetros do aeroporto, parques industriais modernos surgem em meio à vegetação densa. Em uma dessas estruturas está a fábrica da gigante chinesa Gree, que opera com seis linhas de montagem e capacidade de produção de dois milhões de aparelhos de ar-condicionado por ano. A empresa, que chegou ao Brasil nos anos 1990, destaca-se não apenas pela escala produtiva, mas também pelo compromisso ambiental: todos os produtos utilizam gás refrigerante ecológico, com zero impacto na camada de ozônio.

Para Xu Yunxing, diretor de produção da Gree Brasil, essa combinação de tecnologia e sustentabilidade é essencial. E os impactos vão além da produção: segundo Ronny Oliveira Costa, que atua na fábrica há 22 anos, a parceria com a China abriu portas para crescimento profissional e trocas culturais. “Foi através desse trabalho que conheci a China e sua cultura, algo impensável para mim antes”, conta.

Tecnologia, empregos e floresta em pé

A Zona Franca emprega hoje milhares de trabalhadores, oferecendo uma alternativa econômica que ajuda a evitar o desmatamento. “A indústria é o escudo da floresta. Ao garantir renda e emprego na cidade, evitamos que a população precise recorrer a práticas predatórias para sobreviver”, explica Bosco Saraiva, superintendente da Zona Franca.

De acordo com Saraiva, a presença chinesa é central nesse esforço. Manaus já é o segundo maior polo mundial na fabricação de ar-condicionado — atrás apenas da própria China — e tem ampliado sua presença em setores de ponta, como o de eletrônicos e telefonia móvel.

Um exemplo recente é a chegada da OPPO, fabricante chinesa de smartphones. Em apenas seis meses, a empresa implantou sua operação na Zona Franca e começou a produzir celulares com alto padrão tecnológico. As placas-mãe são montadas em ambientes altamente automatizados, com testes rigorosos e processos de precisão, seguindo o modelo chinês de excelência industrial.

Ma Baoyu, responsável técnico pela operação, destaca que todos os equipamentos de teste foram importados diretamente da China, e que a expertise asiática tem sido compartilhada com os trabalhadores locais. “É uma transferência de conhecimento que fortalece o Brasil em longo prazo”, afirma.

Brasil e China: parceria estratégica para o futuro da Amazônia

A cooperação entre Brasil e China na Zona Franca de Manaus representa mais do que um bom negócio: é uma aposta na indústria como aliada da floresta. Em um mundo onde o combate às mudanças climáticas exige soluções inovadoras, o modelo amazonense ganha força como alternativa concreta de desenvolvimento verde.

“Queremos continuar ampliando essa parceria, trazer mais tecnologia da China e gerar empregos de qualidade para a região. O futuro da Amazônia passa pela inovação e pela indústria sustentável”, conclui Saraiva.

Para o Brasil, esse é um exemplo claro de como relações internacionais bem estruturadas — especialmente com parceiros estratégicos como a China — podem contribuir para um modelo de crescimento mais justo, verde e tecnológico.

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