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China suspende embargo à carne de frango do Rio Grande do Sul e abre espaço para retomada de exportações

A China anunciou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, a suspensão do embargo à importação de carne de frango produzida no estado do Rio Grande do Sul, que estava em vigor desde maio de 2025. A restrição havia sido adotada em meio a notificações sanitárias de enfermidades aviárias, e a liberação abre caminho para a retomada dos embarques ao principal mercado externo da avicultura gaúcha. A medida representa importante movimento nas relações econômicas entre Brasil e China, um dos maiores parceiros comerciais do agronegócio brasileiro.

O embargo foi inicialmente imposto após a identificação de Newcastle — uma doença viral que afeta aves — em 2024 no município de Anta Gorda (RS), e em seguida pelo registro de um caso de gripe aviária de alta patogenicidade no município de Montenegro em 15 de maio de 2025. Essas ocorrências levaram a China a suspender as importações de carne de frango do Rio Grande do Sul por razões sanitárias, em conformidade com protocolos internacionais de controle de doenças animais.

De acordo com informações divulgadas à imprensa pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luís Rua, confirmou que o fim do embargo foi autorizado e que as compras chinesas já estariam liberadas desde sexta-feira (16 de janeiro de 2026), após a avaliação técnica das autoridades sanitárias chinesas de que os riscos haviam sido mitigados. Para produtores e exportadores, essa decisão sinaliza a perspectiva de recuperação de fluxos comerciais importantes e de retomada de receitas interrompidas pelos impedimentos comerciais.

Estatísticas do setor revelam que as exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul sofreram queda em 2025, em parte devido às restrições impostas por mercados parceiros, incluindo a China. Segundo dados da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), os embarques no ano passado somaram cerca de 686,3 mil toneladas, com receita de US$ 1,24 bilhão, representando retração em relação a 2024 e refletindo o impacto do embargo. A retomada do acesso ao mercado chinês já estava sendo antecipada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que em declarações públicas afirmou que a China estava “na iminência de voltar a comprar” carne gaúcha, apoiado por evidências de controle sanitário regional.

A retomada das exportações de carne de frango ao principal comprador internacional é vista como um elemento chave para o agronegócio brasileiro, que tem na China um destino histórico de grande parte de sua produção de proteínas animais. A recuperação desse fluxo comercial pode contribuir positivamente para a balança comercial do Brasil no segmento de carnes, além de reforçar a importância da cooperação bilateral em temas sanitários e econômicos, em um momento em que o comércio global enfrenta pressões por barreiras técnicas e exigências fitossanitárias mais rigorosas.

O episódio também traz ao centro das negociações comerciais o debate sobre regionalização de restrições sanitárias, que permite a manutenção de fluxos de comércio mesmo quando ocorrem surtos localizados. Países como Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e outros parceiros comerciais já adotaram protocolos de regionalização com o Brasil, evitando a suspensão total de importações a partir de focos restritos. A China, ao suspender o embargo, sinaliza que há espaço para ajustamentos técnicos que beneficiem tanto a segurança alimentar quanto a continuidade de fluxos comerciais entre os dois países.

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