O governo brasileiro intensificou sua ofensiva diplomática e comercial após o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta terça-feira (26) que o Brasil está respondendo com “um conjunto de ações concretas” para garantir novas rotas de exportação e diminuir a dependência do mercado norte-americano.
Segundo Costa, a prioridade agora é fortalecer acordos com a China, a Europa e o mundo árabe — regiões vistas como estratégicas para absorver produtos brasileiros em meio à turbulência comercial com Washington. “Queremos que o Brasil diversifique ainda mais suas exportações e reduza sua exposição às intempéries americanas”, disse o ministro durante a abertura de uma reunião ministerial.
China no centro da estratégia
Pequim, maior parceiro comercial do Brasil, é peça-chave dessa estratégia. Só em julho, a China comprou mais de 10 milhões de toneladas de soja brasileira e segue ampliando sua fatia nas importações de carne bovina e minério de ferro. Para o governo Lula, reforçar a cooperação com a China significa não apenas manter a segurança das exportações agrícolas, mas também expandir a presença em setores como energia, infraestrutura e tecnologia.
400 novos acordos comerciais
Durante a cerimônia de assinatura da Medida Provisória Brasil Soberano, criada para responder à sobretaxa americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o país já alcançou a marca de 400 novos acordos comerciais em dois anos e meio. Segundo ele, este é o momento de “procurar novos parceiros e abrir horizontes”, transformando a crise em oportunidade para fortalecer relações com outros blocos e países emergentes.
O desafio da abertura de mercados
Abrir um novo mercado, porém, exige mais do que vontade política. O processo envolve negociações comerciais, adaptação a normas fitossanitárias e comprovação de origem, além de etapas burocráticas como registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) e fiscalização aduaneira. Apesar das exigências, setores como o agronegócio têm sido rápidos em se adaptar, garantindo embarques para destinos alternativos.
Reequilibrando o tabuleiro global
A guinada diplomática do Brasil acontece em um cenário de disputa comercial cada vez mais intenso entre Estados Unidos e China. Para analistas, a busca brasileira por diversificação é não apenas uma reação ao tarifaço, mas também um movimento estratégico de médio e longo prazo, que pode reposicionar o país como um ator central nas cadeias globais de alimentos, energia e minerais.
Enquanto o governo Trump tenta usar tarifas como instrumento de pressão política, o Brasil aposta no fortalecimento da cooperação com a China e outros parceiros como forma de garantir estabilidade comercial e abrir espaço para um crescimento mais soberano e menos vulnerável a decisões unilaterais de Washington.
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